Zahyra Mattar
Jaguaruna
As previsões voltam a ser animadoras. Bom mesmo seriam prazos concretos. Mas, enquanto não surgem, o negócio é manter o otimismo com o que se tem.
O primeiro passo para assinar mais um convênio para a construção da ponte de concreto sobre o Rio Congonhas, na divisa de Tubarão com Jaguaruna, foi dado. O recurso necessário para readequar o projeto foi aprovado. Serão aplicados mais R$ 150 mil, do estado, para viabilizar o documento.
“Acredito que ainda este ano conseguiremos licitar esta obra importante. Chega de enrolação”, valoriza o prefeito de Jaguaruna, Luiz Napoli (PP).
Há pouco mais de seis anos, a população das duas cidades espera pela obra. Por duas vezes, a prefeitura de Jaguaruna firmou um convênio com o governo do estado.
Nas duas vezes, a parceria foi desfeita por erros no projeto. A travessia projetada era menor do que a necessária.
Na segunda concorrência pública, quando a empresa Souza e Esmeraldino, de Tubarão, foi dada como vencedora, imaginava-se que o problema do projeto havia sido resolvido.
Para a ‘nossa alegria’, foi licitado o mesmo documento errado. Até junho do ano passado, a obra estava orçada em R$ 744.591,80 – R$ 600 mil do governo estadual e R$ 92.704,10 de cada prefeitura.
A estimativa, agora, é de que será necessário pelo menos R$ 1,3 milhão para edificar a ponte. O projeto anterior previa uma passagem de 45 metros de extensão. Mas é preciso que tenha no mínimo 60 metros para transpor o rio.
Como a ponte foi projetada e como deveria ser
• A nova ponte de Congonhas, na divisa de Tubarão com Jaguaruna, de concreto, precisa ter 60 metros de extensão e oito metros de largura. A projetada anteriormente contemplava apenas 45 metros.
• Eram previstas duas pistas de rolamento e passagem para pedestres, o que deverá ser mantido.
• A profundidade também estava errada. Precisará ser maior do que os dois projetos anteriores previam. As estacas só serão fincadas com segurança a mais de 34 metros abaixo d’água, valor além do estimado (menos de 30 metros).
• A travessia de concreto seria construída ao lado da estrutura de madeira (do lado esquerdo de quem segue de Tubarão para Jaguaruna). Isto porque a intenção era manter a atual.
• Não existe informação se isto será possível por causa do avançado processo de deterioração que se encontra a estrutura.
Atual passagem é precária
A construção de uma passagem de concreto na divisa dos bairros Congonhas e Jabuticabeira, em Tubarão e Jaguaruna, respectivamente, é reivindicada há décadas. Mas o pleito ganhou ainda mais força a partir de 2006, quando houve a tentativa de construir a travessia pela primeira vez.
A estrutura de madeira gera insegurança nos usuários. Inclusive, chegou a ser interditada pelo lado da Cidade Azul duas vezes, com base em um laudo técnico que confirmava a precariedade. Como a maioria não cumpriu a determinação e continuava a trafegar pela perigosa ponte, em fevereiro do ano passado, alguém ateou fogo e cerca de 25% da estrutura ficou destruída.
Mesmo assim, pedestres, motociclistas e ciclistas ainda atravessavam. Dias depois ao ato de vandalismo, o trânsito foi novamente liberado para veículos pequenos. Isso porque a ponte passou por uma pequena reforma, onde foram colocadas novas vigas, estacas, corredeira e corrimãos.
Cerca de 90% dos usuários da ponte são de Tubarão e Capivari de Baixo, em direção às praias de Jaguaruna. Na cidade vizinha, a obra garantirá a retirada do fluxo de veículos do centro aos fins de semana.
Hoje, com a precariedade da passagem, a maioria opta por seguir para Jaguaruna pela BR-101. Para acessar as praias, obrigatoriamente é preciso passar pela região central da cidade, o que gera longos congestionamentos, especialmente na alta temporada de verão.

